Foto: Arquivo do Museu da Cidade do Recife/PCR

História

O chamado Entrudo-selvagem chega ao Brasil com os portugueses e é ele o antecessor do nosso Carnaval. “Em Pernambuco, a Igreja tinha interesse na conexão dessa festa à liturgia católica inclusive no intuito civilizá-la”. Diante do fracasso, surgem medidas restritivas, todas, porém sem sucesso. É interessante observar que, desde o início, são dois os tipos de entrudo: O das elites, nos espaços privados, e o do povo no espaço público onde ocorriam as batalhas, ataques de água, pó e as famosas limas que nem sempre eram de cheiro.

Várias são as táticas para sua interdição, sem o sucesso pretendido, dessa forma as classes influentes iniciam uma forte repressão através do Estado, proibindo o Entrudo e colocando-o sob a vigilância da polícia.

Surge uma nova proposta de modelo para a festa, baseado nos Carnavais Europeus que se caracterizavam pelo luxo, máscaras, e ocorriam em salões da burguesia. No Brasil, a exemplo da Europa, a elite promovia seus Carnavais em Casarões, teatros e salões onde se tocava polca, mazurca, e uma variedade de ritmos.

Foto: Arquivo do Museu da Cidade do Recife/PCR

Aos poucos, grupos de mascarados vão tomando as ruas do centro da cidade, em carros abertos puxados por cavalos ou a pé, a Mascarada já dominava os espaços fechados e os desfiles no espaço público. Para tanto, buscou retirar da população em geral, o costume de dançarem nas ruas e usarem máscaras, sobretudo os negros que trouxeram essa prática da África. As proibições do seu uso assim como, a ocupação das ruas acarretaram reações e perseguições diversas.

A partir de 1862, se inicia um período de organização da folia na rua, e após 1888, com a abolição da escravatura, esse processo é ampliado.   A insurgente classe trabalhadora se organiza em agrupamentos denominados Clubes e, promove seus desfiles carnavalescos no espaço urbano.

É a origem das agremiações em sua diversidade, na cidade do Recife. Entre os associados desses clubes sobressaíam-se o operariado urbano, pequenos comerciantes, vendedores ambulantes, jornaleiros, lavadeiras, costureiras, açougueiros e vários prestadores de serviços.