BOI DE CARNAVAL

Com origens marcadas por uma forte presença religiosa, as manifestações artísticas que têm o Boi como figura central remontam à Antiguidade. No Brasil, sua presença está fortemente ligada à força motriz utilizada na pecuária e nos engenhos de açúcar do Nordeste.

A “brincadeira” aparece no Carnaval do Recife como uma forma derivada do Bumba-meu-boi, auto de natal que representa a morte e a ressurreição do Boi. Os Bois de Carnaval são caracterizados pela simplicidade, improviso e irreverência, e levam para a rua uma grande variedade de personagens, classificados como figuras humanas, animais e fantásticas. Algumas são indispensáveis, como o Capitão, Mateus, Bastião, Catirina, Doutor, Padre, Arlequim, o Boi, a Ema, a Burrinha, o Babau, o Jaraguá, o Diabo, o Morto-carregando-o-vivo, a Caipora e o Mané Pequenino. Esses personagens fazem parte do Boi de terreiro. Ao migrar para o carnaval, a brincadeira acrescenta ou suprime personagens e ritmos. Diferentemente do Bumba-meu-Boi ou Boi de Terreiro, o Boi de Carnaval traz para a avenida apenas um cortejo aberto por um estandarte. Alguns grupos apresentam alas e cordões (como de pastorinhas, de baianas, de caboclos), em outros o cortejo desfila livremente.

A orquestra é formada por dois bombos, ganzá, gonguê, reco-reco ( ou bage de taboca), sendo opcional o uso de alfaia, do tarol e da rabeca. Quem “tira” (canta) as loas é o tirador ou cantadeira, e as músicas podem ser compostas para o desfile ou improvisadas.

O figurino dos Bois de Carnaval utiliza diversas estampas de chitão, distribuídas em quase todos os personagens. De maneira geral, as fantasias são simples, porém bastante originais, criadas de acordo com a história de cada figura.

BOI MALABÁ

O Boi Malabá foi registrado como Troça Carnavalesca no dia 2 de março de 1987 por Renilson Barros (mais conhecido por Mestre Caboclo) e quatro amigos, todos residentes do Alto do Pascoal. Criado em 1980, quando desfilava apenas na própria comunidade, foi assim “batizado” pelos fundadores ao identificarem no dicionário a palavra Malabá como “rei dos bois”.

Desfila reunindo a família de seu Renilson (filhos e netos) e grande parte da vizinhança. De acordo com Sandra Barros, filha do presidente e uma das lideranças da agremiação, o Boi envolve toda a família: sua mãe, costureira; o marido Anderson Santos, compositor e parte da orquestra; o filho Maycon, que desde os  cinco anos desfila tocando maracá.

O personagem central da agremiação, o Boi Malabá, é sempre preto e branco. Traz um cravo branco preso entre um chifre e outro, que o diferencia dos outros Bois de Carnaval. Essa particularidade também está presente na música que marca o desfile da agremiação: “O Boi Malabá é uma beleza / ele é um cravo branco / é uma luz acesa”. O atual presidente é Renilson Siqueira de Barros.

Endereço: Rua São Rafael, n° 237, Bomba do Hemetério, Recife.

Contatos: (81) 98514.2227 (Anderson) / 98789.4457 (Sandra Cristina Sá de Barros)

BOI FACEIRO

O Boi Faceiro foi criado no dia 15 de dezembro de 1997, às vésperas do natal, e não do carnaval, como muitos poderiam deduzir. Desde então, Aelson Ferreira da Hora, seu fundador e presidente, depois de integrar grupos de maracatus, bois, caboclinhos e ursos, passou a se dedicar exclusivamente aos grupos de bois. Sua criação foi resultado de um projeto desenvolvido pelo Centro Cultural Leão do Norte (fundado no bairro dos Coelhos em 1995).

O Boi Faceiro teve como objetivo primeiro a revitalização de um brinquedo popular em processo de declínio. Ao longo desses anos, vem realizando ações pedagógicas e sociais na comunidade, promovendo a transmissão de saberes e valores. Foi através dele que surgiu a Federação Cultural dos Bois e Similares (FECBOIS/PE). “O Boi Faceiro significa a autoestima de todos que fazem parte desta grande brincadeira”, explica seu presidente e fundador, Aelson.

A agremiação participou de turnês e festivais no Brasil e no exterior. Atualmente, possui mais de 10 títulos de campeão do carnaval pernambucano, tendo alcançado em 2008 o Prêmio Culturas Populares SID/Minc como uma das 40 expressões e experiências formais exemplares da cultura popular brasileira. A FECBOIS/PE representa 26 grupos de bois associados no Recife, 56 atuantes na região metropolitana e mais de 300 espalhados em todo o Estado.

Endereço: Rua Professor Jorge Lobo, n° 31, Coelhos, Recife

Contatos: (81) 98663.6112 / 99911.9269

GRÊMIO RECREATIVO E CULTURAL BOI MANHOSO

Criado com o objetivo de “completar o ciclo de agremiações existentes no bairro de Areias”, o Boi Manhoso foi fundado em 14 de fevereiro de 1972, na Vila das Lavadeiras, por Genildo Lopes da Silva, Luzinete Costa da Silva e Reginaldo Severino da Silva, todos moradores da Vila.

Segundo Valdemir Vieira Cavalcanti (um de seus presidentes), “…a Vila das Lavadeiras, como o próprio nome já diz, era formada só por lavadeiras. No fundo da casa havia um enorme tanque coletivo de lavar roupas e uma criação de bois e vacas soltos por toda a Vila […]comiam tudo que viam pela frente, porém tinha um que gostava de comer sabão e ficava espumando muito. As lavadeiras tangiam os bois, mas o “comelão de sabão” ficava, deitava e balançava o rabo para as lavadeiras que logo o apelidaram de Boi Manhoso. Então, no momento da fundação, Dona Luzinete, que era lavadeira, resolveu homenagear o boi comedor de sabão”.

Ao longo de sua história, o Manhoso conquistou vários títulos no Concurso de Agremiações Carnavalescas promovido pela Prefeitura do Recife. Seu atual presidente é Herley José da Silva.

Endereço: Rua Goiana, nº 107, Areias, Recife.

Contato: 81.99385.3721 / 98573.9144

BOI CARA BRANCA DE LIMOEIRO

O Boi Cara Branca de Limoeiro foi fundado em 05 de agosto de 1996 por Adilson Lopes da Silva e seu amigo Inaldo. Limoeirense brincante de outros bois da cidade (Boi Leão, Boi Coração, Boi Estrela e Boi Misterioso, todos de Limoeiro), foi incentivado a criar sua própria agremiação. O nome veio em virtude da presença de vários bois, num matadouro próximo à sede do Boi Coração, despertarem sua atenção por serem pretos com a cara branca.

Adilson tem se empenhado como líder da agremiação e está conseguindo manter ativo o grupo desde sua fundação, inclusive atuando durante todo o ano e não só no carnaval.

O Boi Cara Branca segue uma tendência específica da cidade em que está sediada, de misturar o Caboclinho e o Bumba-Meu-Boi, trazendo caboclos e caboclas trajados com pena, cocares e atacas, elementos característicos da indumentária do caboclinho. Essa influência também está presente nas loas e no estandarte, que traz a figura de um índio, criando um gênero específico ainda não catalogado pelos teóricos da estética popular e folcloristas, ao menos de Pernambuco. Os integrantes do Boi Caboclinho Cara Branca fazem a defesa deste gênero como específico da região, junto com outros companheiros e companheiras brincantes do carnaval e cultura limoeirense/pernambucana/nordestina/brasileira.

O ponto alto da apresentação do Boi Cara Branca, bem como de todas as agremiações deste gênero, é a chamada tourada, que consiste no Balé do Boi (armação de ferro e/ou madeira aveludada em forma de boi com um integrante no interior) duelando com os caboclos, cavalo-marinho, kalú, Mateus ou outro personagem; também são destaque os “saltos mortais múltiplos” dos caboclos trajados em luxuosas fantasias de penas de aves coloridas. O presidente atual é Adilson Lopes da Silva.

Endereço: Travessa Panfilo Falcão de Melo, nº86, Centro, Limoeiro-PE

Contato: (81) 99677.7612 / 99231.0689