BLOCOS DE PAU E CORDA

Originados dos bairros centrais do Recife nos anos 1920, os blocos, também chamados inicialmente de Blocos Carnavalescos Mistos, têm na sua formação inicial certa semelhança com os ranchos carnavalescos do Rio de Janeiro, surgidos no final do século XIX. A partir de 1974, com a fundação do Bloco da Saudade, formado por profissionais liberais, foram criados diversas agremiações que passaram a ser denominadas  Blocos Independentes ou Líricos.

É importante destacar ainda a sua semelhança com os grupos de pastoril (dança de origem ibérica que faz parte das manifestações culturais do ciclo natalino em nossa região).

Explica-se aí a própria formação do bloco, com o coral feminino à frente acompanhado por uma orquestra de pau e corda composta por instrumentos como banjo, violão, cavaquinho, bandolim, pandeiro e instrumentos de percussão.

De acordo com o pesquisador Leonardo Dantas Silva, o aparecimento dos blocos vai tornar possível “às moças e senhoras da chamada pequena burguesia {…} saírem às ruas, mas protegidas por um cordão de isolamento, envolvendo todo o grupo e separando-o da multidão, sob a severa vigilância de pais, maridos, genros, irmãos e amigos”.

Nesse percurso, observa-se que os blocos nascem sob o signo da ordem e com o apoio de intelectuais e da polícia, como contrapontos ao carnaval dito “perigoso” dos Clubes Pedestres e Maracatus, formados pela classe trabalhadora, em geral afrodescendentes, considerados responsáveis pela criminalidade, desordem na folia e inadequados à imagem civilizada que a nascente República tentava construir para o País.

Diferentemente da maioria das agremiações carnavalescas que têm o estandarte como abre-alas, no bloco o desfile é aberto pelo flabelo – alegoria de mão que traz o nome, a data de fundação e o símbolo da agremiação. Após o flabelo, desfilam a Diretoria, as Damas de frente, os Destaques, os Cordões, o Coral feminino e por fim a Orquestra.

Das manifestações que compõem o carnaval do Recife, nenhuma supera o romantismo e o lirismo dos blocos, a entoar canções evocando os antigos carnavais, prestar homenagens a personalidades da cultura pernambucana, exaltar as belezas da terra ou simplesmente brincar com o cotidiano.

BLOCO CARNAVALESCO MISTO BANHISTAS DO PINA

Localizada numa área distante do foco do carnaval da época, a agremiação foi criada em 03 de fevereiro de 1932 invocando as serestas e serenatas, brincando na praia do Pina. A princípio foi chamada Amadores, depois Jangadeiros, Veranistas e, finalmente, Banhistas do Pina.

Suas cores são azul e branca, atribuídas à devoção dos seus criadores à Nossa Senhora da Conceição. Tem como símbolo uma jangada e sua sede se localiza mais precisamente na comunidade conhecida popularmente como Bode.

Seu hino, “Lindas Praias” foi composto por Luiz Faustino.

Banhistas já conquistou diversos campeonatos no Concurso de Agremiações da Prefeitura do Recife. O Bloco tem também livros publicados contando sua história e várias marchas compostas por outros compositores renomados, especialmente para a agremiação. Seu presidente de honra é Lindivaldo Oliveira Leite, mais conhecido como Vavá.

Endereço: Rua São Luiz, nº 316, Bode – Pina, Recife

Contatos: (81) 98741.4604 / 3477.7887

BLOCO CARNAVALESCO MISTO BATUTAS DE SÃO JOSÉ

O Bloco Batutas de São José foi fundado em 05 de junho de 1932 por um grupo de carnavalescos dissidentes do Bloco Batutas da Boa Vista. Em 1933 desfilou pela primeira vez, enchendo de lirismo e alegria o carnaval do Recife. Seu flabelo traz como cores oficiais o vermelho, o azul e o branco e o seu emblema é representado por duas batutas entrecruzadas.

A agremiação, em sua longa trajetória, localizou-se em várias ruas do bairro de São José até que construiu sua sede no bairro de Afogados, em 1995, sendo conhecida pelos movimentados bailes que ali realiza.

O Batutas possui um repertório singular, com muitas composições criadas exclusivamente para o bloco, a exemplo de “Relembrando O Passado”, “Sabe Lá O Que É Isso”, “Não Deixe Batutas Morrer”, entre outras. No Concurso de Agremiações Carnavalescas é detentor de vários títulos. Sua presidente é Nadira Maria da Silva Almeida.

Endereço: Rua Cabedelo, nº 60, Afogados, Recife

Contatos: (81) 98705.4331 (Dona Nadira) / 3441.7707 (Sede)

BLOCO CARNAVALESCO MISTO FLOR DA LIRA DO RECIFE

Fundado em 17 de março de 1920, este é o mais antigo representante dos blocos de pau e corda da cidade do Recife. Nasceu na comunidade de Santo Amaro, a partir de uma brincadeira organizada por um grupo de amigos que participavam da Troça Bola de Prata.

O Flor da Lira do Recife ausentou-se do carnaval nos anos de 1940, retornando em 1978. São várias as canções de sucesso executadas pelo bloco, entre elas “Lira Querida”, “Só Depois da Quarta-feira” e “Tributo a Luiz Faustino”.

Seu flabelo traz as cores azul, vermelha, dourada e prateada. Coleciona diversos títulos no Concurso de Agremiações Carnavalescas promovido pela Prefeitura do Recife. Seu presidente é Ademir José da Silva.

Endereço: Rua João Elísio, nº 381, Mangueira, Recife

Contatos: (81) 99945.9957

BLOCO CARNAVALESCO MISTO MADEIRA DO ROSARINHO

Datado de 07 de setembro de 1926, o Madeira, como é chamado carinhosamente, nasce de uma dissidência do bloco Inocentes do Rosarinho. Com mais de vinte títulos, a agremiação possui uma grande sede que é referência na cidade do Recife, localizada no bairro do Rosarinho.

Tem como cores oficiais o vermelho, o branco e o verde. Traz como insígnia um escudo similar aos dos clubes de futebol. Entre as suas marchas de bloco destacam-se “Me Apaixonei Por Você”; “Paraquedista” e “Madeira que Cupim Não Rói”, esta última de autoria de Capiba, que a compôs em 1963.

Seu presidente é Regivaldo de Santana Vaz Curado (Dida).

Endereço: Rua Salvador de Sá, nº 64, Rosarinho, Recife

Contatos: (81) 3427.2070 / 98877.8575

BLOCO DA SAUDADE

Criado em 01 de dezembro de 1973 por Antonio José Madureira (Zoca) e Marcelo Varella, o Bloco da Saudade desfilou pela primeira vez em 1974. A motivação da sua existência está vinculada ao desejo de reviver antigos carnavais e inspira-se na música “Valores do Passado”, composta por Edgard Moraes em 1962, que idealiza um bloco e faz referência a outros 24 blocos, até então extintos.

Seu flabelo apresenta uma máscara onde se destacam as cores vermelha e azul, que identificam a agremiação onde quer que ela chegue. Sua criação estimulou o surgimento de vários outros blocos de pau e corda.

A orquestra que acompanha o Bloco da Saudade já contou com nomes expressivos da música pernambucana, a exemplo de Antônio Carlos Nóbrega, Antúlio Madureira, Egildo Vieira, Narciso do Banjo, Walmir Chagas, entre outros. Atualmente, a agremiação é presidida por Izabel Cristina Bezerra.

Contatos: (81) 99961.2277 / 99145.9575 / 98858.2606 / 9147.1868 (Izabel / Amilcar)

Site: www.blocodasaudade.org.br

BLOCO CARNAVALESCO MISTO INOCENTES DO ROSARINHO

O Bloco Carnavalesco Misto Inocentes do Rosarinho foi fundado em 18 de janeiro de 1926, debaixo de uma jaqueira que existia no sítio de Eurico Souza Leão, na localidade conhecida como Matinha, subúrbio do Rosarinho.

Inocentes sagrou-se campeão nos Concursos de Agremiações nos anos de 1953 e 1957, e de 1963 até 1971. Sua ala feminina era bastante famosa e motivo de grande rivalidade com o Bloco Madeira do Rosarinho. Essa rivalidade pode ser percebida nas letras das marchas em resposta ao bloco rival. Como exemplo, destacamos: “Mágoa”, de Chico Baterista, em resposta a outra marcha cantada pelo coral de Madeiras do Rosarinho, de Luiz de França.

O bloco se dissolveu depois que Valtermiro José de Oliveira, presidente por mais de 30 anos, morreu. Inocentes esteve presente no Carnaval até 1995. Com um hiato de 14 anos, um grupo formado por cinco amigos, entre eles, Washington Oliveira, filho de Valtermiro, resolveu resgatar a tradição, criando em 2009 a Associação Amigos do Bloco Inocentes do Rosarinho. Desde então, Inocentes voltou a desfilar pelas ladeiras no carnaval de Olinda e do Recife.

Com direito a corte de bolo, o bloco Inocentes do Rosarinho comemorou 90 anos em 2016 e, para celebrar as nove décadas de folia, desfilou pelas ruas do Bairro do Recife. A concentração aconteceu na rua da Guia, seguindo em cortejo pela rua do Bom Jesus até o Marco Zero, acompanhado de uma orquestra de pau e corda e integrantes fantasiados.

suas cores são a branca, a vermelha e a dourada. No alto de seu flabelo, surge uma imagem de um anjinho. Seu presidente é Washington Ferreira de Oliveira.

Contatos: (81) 98713.4526 / 98114.1310