Terça Negra une cultura popular e música pop de PE

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Pai Everaldo de Xangô no comando do Afoxé Ogbon Obá. Foto: Sérgio Bernardo/PCR

Coco, afoxé e afropop pernambucano deram o tom da segunda noite da Terça Negra Especial Carnaval. Realizado pelo Movimento Negro Unificado, com apoio da Prefeitura do Recife, o evento contou com as apresentações do grupo O Coco é a Resposta, Mano de Baé, Afoxé Ogbom Obá e Combo X.

Criado em Peixinhos, em 2006, O Coco é a Resposta incorpora ao ritmo que lhe dá nome outras influências da cultura popular pernambucana. A participação especial do cirandeiro Mestre Anderson, do Cambinda Brasileiro, no encerramento do show, foi um reforço na disposição do grupo para outras manifestações.

Filho de Manoel Leão Machado, músico e artesão, também conhecido como “Mestre Baé”, Mano de Baé tentou ser roqueiro e rapper. Mas foi utilizando-se da linguagem do coco de roda que ele conseguiu encontrar o meio ideal para se expressar. A entusiasmada resposta do público à apresentação do artista de Tracunhaém, cidade da Zona da Mata de Pernambuco, mostrou que ele está no caminho certo.

“Esse é um espaço de resistência, onde todos nós que fazemos a cultura afro-brasileira saímos da invisivilidade e mostramos a arte e a dignidade de um povo”. Assim Pai Everaldo de Xangô definiu a oportunidade de estar com seu Afoxé Ogbon Obá no palco da Terça Negra. O grupo foi criado em 2007 por ele e familiares. Além da voz e do carisma do seu líder, o Ogbon encantou e fez o público vibrar com a beleza da dança afro interpretada por seu bailarinos e com a força do seu corpo percussivo e das suas vocalistas.

Ex-integrante da Nação Zumbi, Gilmar Bola Oito encerrou a noite no Pátio de São Pedro com seu Combo X. A banda, que também conta outro ex-membro de banda oriunda do manguebeat (Bactéria, tecladista com passagem pela Mundo Livre S/A), mostrou sua mistura de elementos do rap, maracatu, funk, soul e afrobeat. Para Bola Oito, a Terça Negra é uma boa mostra da diversidade cultural do Recife. “Onde você vê skatista no afoxé e regueiro em roda punk”, observou o músico de Peixinhos.