Nações de maracatu homenageiam antepassados no Pátio do Terço 

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A segunda-feira de carnaval do Recife manteve a sua tradição com a Noite dos Tambores Silenciosos, celebração realizada no Pátio do Terço, situado no centro da cidade. Foram 24 nações de maracatus de baque virado que homenagearam seus antepassados com louvores e cantos. Muita emoção pode ser conferida no rosto de cada participante e do público presente.

Às 20h em ponto, a Nação Maracatu Elefante (a mais antiga delas, em atividade desde 1800) abriu a Noite dos Tambores, trazendo a representação das religiões de matriz africana. Ela foi seguida por outras 12 nações antes do início da louvação para celebrar os seus ancestrais, conduzida pelo Tata Raminho de Oxóssi, também pontualmente à meia-noite. Nesse momento todas as luzes se apagam e a celebração ganha uma tônica mais intimista e tocante. “Vamos manter o rito de outros anos, invocando os antepassados e fazendo a louvação”, adiantou Tata Raminho.

As demais nações de maracatu presentes deram continuidade à celebração após o louvor. Givanildo Melo, 60 anos, disse sempre se emocionar bastante durante a Noite dos Tambores Silenciosos. “Há 20 anos eu acompanho essa tradição, venho chorar pelos meus antepassados, e relembrar meus parentes”, confessou.

Maracatus mirins – Mais cedo, 10 maracatus mirins se apresentaram no palco do pátio. Nações como Estrela do Mar, Encanto da Alegria, Baque Forte, Estrela Dalva, entre outras, marcaram presença na noite de celebração. Assim como os adultos, as crianças se envolvem nas cerimônias e muitas delas têm o primeiro contato com a religiosidade do candomblé. “Esse é o primeiro ano da minha filha, Nina, de quatro anos, aqui no Maracatu Mirim Encanto do Pina. Eu já participo há 10 anos e agora trago ela, que vai entender a importância dessa manifestação”, disse Roberta Marangoni, que é de São Paulo e participa do Maracatu Encanto do Pina.