Tumaraca – Encontro de Nações encerra as prévias da cidade com regência coletiva

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No próximo dia 8 de fevereiro, tradição e festa se encontram no Marco Zero. Encerrando a extensa programação de prévias carnavalescas oferecidas pela Prefeitura do Recife, uma grandiosa celebração à cultura de matriz africana abraça um dos principais cartões-postais da cidade, levando 13 nações de maracatu e mais de 700 batuqueiros para desfilar sua história e a força de sua cultura.

Este ano, a regência do encontro dos maracatus será coletiva. Para preencher a enorme lacuna deixada pelo músico Naná Vasconcelos, os mestres das 13 nações conduzirão juntos a cerimônia que comunga tambores e povos, agora batizada de Tumaraca – Encontro de Nações.

“Tumaraca” era o grito de guerra usado por Naná na regência dos batuqueiros, que, a partir de agora, experimentam o protagonismo da regência compartilhada entre as próprias nações, apropriando-se de todo o processo criativo do espetáculo.

Até 8 de fevereiro, haverá ensaios toda sexta-feira, na Rua da Moeda. Neste sábado (20), a partir das 18h, encontram-se os grupos: Cambinda Estrela, Encanto da Alegria, Leão da Campina e Encanto do Pina, que são regidos por Mestre Ivaldo Marciano, Felipe Tavares e Mestra Joana, respectivamente.

Única mestra – Uma curiosidade do Tumaraca é que ele congrega a única Nação do estado regida por uma mestra: o Encanto do Pina. Joana D´arc da Silva Cavalcante, 39 anos, é a primeira mulher a coordenar e apitar o batuque de um maracatu de baque virado, além de liderar dois outros grupos:  Baque Mulher (grupo de maracatu de baque virado só de mulheres) e Mazuca da Quixaba (grupo de coco de terreiro). É também coordenadora e coreógrafa do naipe dos Abês da Nação do Maracatu Porto Rico.

“Sou nascida e criada dentro do maracatu. Tornar-se mestre de uma Nação é um processo longo e intenso social, religioso e cultural. Há uma série de Preceitos e Fundamentos que precisam ser cumpridos e aprendidos, inclusive sou Mãe Pequena do Ylê Axé Oxum Deym, um dos terreiros mais antigos do bairro do Pina. Por ser a única mulher à frente de uma Nação, minha posição é também de luta e resistência feminina”, diz Joana.